domingo, 15 de novembro de 2015

Os Santos Reis


Ir.̇ . Antônio Gomes da Silva*
Grão-Mestre Adjunto do GOIERN

Agradecendo e prestigiando o valoroso convite do Venerável da Aug.∙. e Resp.∙. Loja Simb.∙. “Obreiros de Santos Reis”, Ir.∙. Carlos Magno Bezerra Cortez e a todos os obreiros dessa Loja que comemora, nessa data, mais um ano de existência e o quarto de sua fundação – o que ocorreu em 12 de novembro de 2011, tendo sido regularizada em 2 de abril de 2012, estando jurisdicionada ao GOIERN   ao mesmo tempo destaco que me sinto honrado com tamanha deferência em poder, nesse momento, falar sobre o assunto que me foi solicitado e que se intitula com o nome dessa Loja, com muita justeza, ou seja, Santos Reis.
Historiar sobre algo ou alguém não é fácil, principalmente quando o assunto nos remete a algo tão significativo, que é retratado nas interpretações da Bíblia, sobre o maior acontecimento cristão, ou seja, o Nascimento do Menino Jesus, ainda mais numa cidade que leva o nome abençoado de Natal e, com muita sapiência, comemora o advento do dia dos Reis Magos.
Pois bem, segundo a Tradição Cristã, esta solenidade é para nós mais significativa, em certo sentido, do que o próprio Natal, embora este seja mais celebrado por todos. 
Na época do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, numa localidade judaica, em Belém, de uma mãe judia, de nome Maria, vivíamos o auge da decadência da humanidade - a situação social, política e moral não tinha classificação. O mundo era invadido por sentimento de desprezos, ódios e invejas. A civilização antiga não vislumbrava uma solução para a crise que lhe minava os fundamentos.
Um antigo documento conservado nos arquivos do Vaticano, lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre os Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na gruta de Belém. O documento é conhecido como a “Revolução dos Magos”. 
Provavelmente seja algum documento “apócrifo”, ou seja, de livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são canônicos, não está nos livros sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia.
Só recentemente, o documento da “Revelação dos Magos” foi traduzido do siríaco antigo pelo Dr. Brent Landau, professor de Estudos Religiosos da Universidade de Oklahoma dos Estados Unidos, que dedicou dois anos para decifrar o frágil manuscrito.
O episódio da epifania, ou seja, a manifestação divina relativa a festa cristã que desde o século V comemora o aparecimento dos Magos – “Mago não significa bruxo ou feiticeiro, no contexto bíblico significa sacerdote ou sábio” – como circunstância da primeira manifestação de Cristo aos gentios. 
Os magos eram potentados ou reis. Segundo o apóstolo Mateus, eles vieram do Oriente, conduzidos por uma linda e brilhante estrela. Segundo São Tomás, a estrela que foi avistada pelos Reis Magos tinha sido criada por Deus para aquela circunstância, não no ceu, mas na atmosfera, com o objetivo de manifestar a realeza celeste do menino que nascera em Belém.
De certa maneira, presume-se que a distância percorrida não deve ter sido grande. Naquele tempo a viagem era feita em camelos com uma comitiva à pé, percorria-se de 30 a 40 km por dia. As estradas eram precárias, com muitos imprevistos como animais ferozes, assaltantes, condições de hospedagens deficientes, ou seja, era uma aventura penosa e arriscada.
Os três Reis Magos foram identificados como: Melquior (tinha 70 anos, cabelos e barba branca, tendo partido de Ur – terra dos Caldeus), Gaspar (era mais moço, tinha 20 anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio) e Baltasar (era Mouro, usava barba cerrada, tinha 40 anos e partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz).
Seus nomes têm significados precisos que nos ajudam a compreender suas personalidades. Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”; Gaspar significa: “Aquele que vai inspecionar” e Baltasar traduz-se por: “Deus manifesta o Rei”.
Os três representavam as três raças humanas existentes em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.
Também seus presentes têm um significado simbólico. Melquior deu ouro ao Menino Jesus, o que, na Antiguidade, queria dizer reconhecimento da nobreza, pois era presente reservado aos reis.
Gaspar ofereceu-lhe incenso ou olíbano em reconhecimento da divindade. Este presente era reservado aos sacerdotes. 
Por fim, Baltasar fez um tributo de mirra em reconhecimento da humanidade. Mas como mirra é símbolo de sofrimento, veem-se nela preanunciadas as dores da paixão redentora. A mirra era presente para um profeta. Era usada para embalsamar corpos e representava simbolicamente a imortalidade.
Desta maneira, temos o Menino Jesus reconhecido como Rei, Deus e Profeta pelas figuras que encarnavam toda humanidade.
Segundo o Professor Landau, o “apócrifo” diz que “a estrela no fim transformou-se num pequeno ser luminoso de forma humana, que foi Cristo, na gruta de Belém.”
A festa da adoração dos Reis Magos ao menino Jesus recebeu o nome de “Epifania do Senhor”. Epifania vem do grego e significa:  “Aparição; fenômeno miraculoso.”
Pois bem, meus amados Irr.∙., a festa se comemora no dia 6 de janeiro, ou seja, 12 dias após o Natal, ou dois domingos após o Natal, dependendo do Calendário Litúrgico usado.
De maneira que podemos relatar aos senhores que a denominação desta Aug.∙. e Resp.∙. Loj.∙. Simb.∙. Obreiros de Santos Reis é do ponto de vista técnico perfeita. 
Cabe a nossa referência e reverência aos seus 33 mestres maçons que a fundaram. Hoje, ela detém a sua estrutura com o quadro composto por 31 Mestres, um Companheiro, sete Aprendizes e um Conselho Deliberativo. O seu Rito é o Brasileiro que é voltado ao civismo da Pátria amada. 
Com certeza, diante da ebulição que vive a Nação Brasileira, com as transformações constantes que não nos cabe nesse momento relatar, esta Loja deve estar vivendo as intempéries do infortúnio corrente nesse País. 
A Maçonaria, neste novo milênio, está inserida e concatenada em todos os princípios e recantos do mundo moderno e contemporâneo. Sua participação é decisiva para que tenhamos um mundo melhor, porém, a sua atuação é discreta sem maiores arroubos, mas constante, denotando ou representando o bem, a tolerância, a harmonia, a sensatez na busca do que há de melhor para o homem em sociedade.
A Maçonaria é envolta de questionamentos em segredos históricos, filosóficos e ritualísticos, daí o porquê de manter-se fortalecida. Por guardar na simplicidade dos seus métodos, na riqueza de seus ensinamentos e na beleza de seus mistérios princípios basilares que norteiam a aproximação humana.
Meus Irr.∙., diante de todo o arrazoado exposto, e dentro do corolário que a Maçonaria exige de todos nós, o que de melhor temos, buscando sempre a perfeição dos homens que a fazem, só nos resta concordar com o grande filósofo francês Voltaire, quando afirmou: “Não concordo com nenhuma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las”.
Nessa frase se encerra o que o maçom deve ter e por em prática para obter o sucesso nas suas ações: a tolerância, a aceitação, a paciência e por último a humildade.
A Maçonaria Universal nos ensina que nada mais é impossível. Afinal qual é o objetivo da vida, crer na verdade ou procurá-la? A Maçonaria, através da história, mostra-nos que sabemos muito pouco sobre o nosso passado, que dirá sobre o nosso futuro. 
Por isso que o nosso presente nos dará o norte através das ações que desencadearão o amanhã. Sejamos, desde já, fortes e decididos, delimitando através da ética, com bastante denodo ou coragem, o que seremos no amanhã, fazendo da Maçonaria a Instituição que possuirá as condições necessárias para assegurar ao homem uma vida capaz, digna do ser com estabilidade, cultura e educação suficiente no seu aprendizado da perfeição até galgar o Grau 33.
O maçom sabe que sua tarefa não é de conservar o passado, mas a de construir o futuro. Que os Irmãos vivam em união e assim continuem. 
Dedico essa reflexão à família, olhando nos olhos dos Irmãos e podendo me orgulhar em dizer que o GOIERN se sente rejubilado, alegre, em festa por poder tê-los como filiados.
Nesta pequena contribuição aos vossos conhecimentos, através dessa reflexão, não tive a intenção de ensinar ou esclarecer, muito menos, de contrariar vossos pensamentos, mas sim, de despertar vossa curiosidade para que se encontrem outras respostas para o assunto e construa em cada um o conhecimento maior: a sabedoria.
Ao encerrar minhas palavras, agradecendo mais uma vez a Aug.∙. e Resp.∙. Loj.∙. Simb.∙. Obreiros de Santos Reis, ao seu Venerável, o Ir. Carlos Magno Bezerra Cortez e a todos os seus obreiros, assim como a todos os presentes nessa festa de quarto aniversário, pela distinção que me coube em dialogar com vocês. 
Rogo ao G.∙.A.∙.D.∙.U.∙., nesse momento em que nos preparamos para comemorar o nascimento do Menino Jesus, que possamos todos nós, ombreados com os nossos pensamentos firmes, voltarmo-nos no propósito de que a paz, a humildade e o amor possam se sobrepor aos nossos egos e juntos caminhemos cada vez mais unidos em busca da luz que nos guia no caminho da perfeição.
Boas festas, boas férias e que tenhamos um breve retorno!
Muito Obrigado!

*Discurso proferido na Sessão Branca Magna em Comemoração ao quarto aniversário da Augusta e Respeitável Loja Simbólica “Obreiros de Santos Reis”, realizada em Natal no dia 14/11/2015, no Templo da Augusta e Benfeitora Loja Simbólica Padre Miguelinho.